"Penacova é luz e penedia, com o que quer que seja de pirenaico, trazido às proporções da ternura e rusticidade portuguesa"

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terça-feira, 28 de Junho de 2011

Os Moinhos da nossa Terra



Vitorino Nemésio, o Homem que se encantou por Penacova e declarava os Moinhos como sendo uma das suas principais Paixões, escreveu: “É preciso chegar às aberturas e miradouros para achar a razão de ser da fama de Penacova que é o seu admirável panorama de água, pinho e penedia"

As características geográficas de Penacova, nomeadamente a altitude e a existência de zonas ventosas, levou os habitantes de outrora a aproveitarem o vento, construindo Moinhos. Movidos pelo vento (moinhos de vento) ou pela força da água (azenhas) transformavam os cereais em farinha.
Talvez por isso, Penacova possua um dos maiores núcleos molinológicos do país. Ao longo das serras da Atalhada, Aveleira e Roxo, Gavinhos, Paradela de Lorvão e Portela de Oliveira, encontramos 23 moinhos de vento em actividade ou em condições de funcionarem. Instaladas nos rios e ribeiras, encontramos cerca de 20 azenhas, sendo estas em grande parte privadas.
Os moinhos de vento portugueses, de tipo mediterrânico, situados aqui, são geralmente compostos por uma estrutura cilíndrica construída em alvenaria de pedra, com uma cobertura cónica de madeira (denominada capelo) e um número variável de velas de pano. A sua estrutura é fixa e apenas o capelo sofre movimento para que as pás sejam orientadas para o vento.

O oficio do moleiro, por sua vez, é quase uma profissão extinta. Os que ainda sobrevivem para contar a história, de idade avançada, são muitas vezes herdeiros de uma tradição familiar, que parece ir terminar com eles. Uma herança que lhes transmitiu os conhecimentos práticos, não só no que se refere à moagem, mas também em relação ao funcionamento do moinho. Eram inúmeras as suas tarefas, desde deitar o grão na moega, ensacar a farinha, picar as mós, corrigir a orientação do mastro ou colher as velas quando o vento teima em soprar com mais velocidade, reparar a levada e a maquinaria avariada.
Acontecia muitas vezes, o moleiro não ser o proprietário do moinho, pois estes pertenciam muitas vezes a agricultores abastados que os arrendavam ao moleiro. O arrendamento do moinho era normalmente pago em espécie, neste caso em farinha. A situação mudou, e os moinhos pertencem quase todos a proprietários moleiros, sendo propriedade privada. Contudo em certas povoações podiam ser de tipo comunitário, e todos os vizinhos da aldeia tinham o direito de os utilizar. O moleiro ficava encarregue de andar pela freguesia com o seu burro a recolher as “taleigas” (sacos de pano) do milho e do trigo dos seus fregueses, transporta-lo até ao moinho e depois trazê-lo aos seus donos já em farinha.

Os moinhos deixaram de responder às exigências crescentes da indústria de moagem e hoje destacam-se como elementos representativos de uma valiosa herança da nossa tecnologia tradicional.
Um pouco de História leva-nos à primeira referência escrita sobre moinhos de vento na Europa, que surge no final do século XII, usados para bombagem de água e moagem. Com o aparecimento de novas tecnologias, os moinhos de vento foram caindo em desuso.

Em Penacova, recentemente alguns destes moinhos têm vindo a ser recuperados para habitações particulares ou como ponto de interesse turístico. Adaptados para o turismo rural, mantiveram-se intactas as características exteriores e dotou-se o interior de todo o conforto, tornando o espaço, embora pequeno, bastante acolhedor, nomeadamente na Serra da Atalhada.
Na Portela de Oliveira ainda há muito trabalho para fazer. Com uma vista paradisíaca tanto de dia como de noite, cativa-nos aquele recanto sobre uma das vistas de Penacova. Faz falta ali algum investimento Turístico, e o pouco que ali perdura, agradece-se ao Sr. Manuel Baptista e à D. Carla Favas ( Habitantes e exploradores da Cafetaria ) que têm feito investimento próprio.
Esperamos que assim continue a "toda a vela" para que em breve vejamos os Moinhos de Penacova totalmente restaurados conjuntamente com o comércio local, a fim de promover, ainda mais o Turismo da Região.

terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011

Moinhos para atrair turistas e investidores


A Câmara de Penacova vai criar uma Rota de Moinhos, desafiando os turistas a visitar os mais de 50 moinhos existentes no concelho. Na Serra da Atalhada, onde é possível pernoitar, tem havido uma taxa de ocupação na ordem dos 100%.
Ao todo, são quatro núcleos/grupos de moinhos no concelho: Serra da Atalhada (18 moinhos), Serra da Portela de Oliveira (outros 18), Gavinhos (15) e Serra do Lorvão, que compreende Aveleira e Roxo, que terá seis a sete moinhos.
O núcleo mais adiantado encontra-se na Serra da Atalhada, onde apenas existem dois em ruínas. Na Atalhada há um grupo de moinhos na posse de particulares, usados para casas de fim-de-semana. Da competência da autarquia há quatro alojamentos, concessionados a um grupo turístico. "Ao fim-de-semana a taxa de ocupação chega a atingir os 100%", revela o presidente da Câmara Municipal de Penacova, Humberto Oliveira, que apenas lamenta o escasso número de moinhos à disposição dos visitantes. Com designações como "Moinho do Moleiro" ou "Moinho de Farinha", os alojamentos da Serra da Atalhada têm, no interior, uma "kitschnette", uma casa de banho (em baixo) e um quarto, equipado com roupeiro e televisão, em cima. "É a disposição habitual para estes moinhos", conta Luís Rodrigues, dos serviços de Turismo da Autarquia de Penacova.
Noutro núcleo, na Serra da Portela de Oliveira, há ainda muitas ruínas, sendo que algumas delas são propriedade do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR). "Há contactos com a Direcção Regional de Cultura do Centro para vermos, em colaboração com o IGESPAR, a possibilidade de haver alguma dinâmica nesses espaços", explica  a vereadora da Cultura e Associativismo da Autarquia, Fernanda Veiga. Em Gavinhos há ainda moinhos dedicados à farinação, com o Sr. Lino (moleiro da zona) a pô-los a trabalhar. Fernanda Veiga entende que o núcleo de Gavinhos é importante para captar a área de visita, enquanto os outros pontos servem mais como dormida. "Na Portela de Oliveira vamos continuar a nossa intervenção, para que possam servir de apoio turístico", defende.
O projecto de criação da Rota dos Moinhos deverá estar concluído dentro de quatro a cinco anos, com Humberto Oliveira a referir o interesse de muitos parceiros, públicos e privados, na intervenção a ser feita. "São precisos investimentos ao nível da recuperação de moinhos. O espaço exterior também carece de melhorias, e há que fazer um enquadramento entre os núcleos, com pontes de ligação pedonais", conclui.